Dados clínicos
| Idade | 73 anos |
| Sexo | Masculino |
| Apresentação | Angina estável progressiva há 2 meses, com piora aos esforços |
| Fatores de risco | Hipertensão arterial controlada, dislipidemia |
| Tratamento em uso | Betabloqueador (dose máxima tolerada — FC 50 bpm), bloqueador de canal de cálcio, nitrato |
Jornada diagnóstica — um caso de alerta
Este caso ilustra as limitações de cada método de investigação isoladamente.
- Angiotomografia de coronárias — estenose no terço médio da ADA, laudada como moderada; paciente mantido em tratamento clínico.
- Cintilografia miocárdica com estresse farmacológico — sem evidência de isquemia, reforçando conduta conservadora.
- Evolução clínica desfavorável — sintomático apesar de três drogas em doses máximas toleradas.
- Teste ergométrico — sugestivo de isquemia, redirecionando a conduta para cateterismo diagnóstico.
Ponto de atenção para o encaminhador
A cintilografia com estresse farmacológico pode apresentar resultados falso-negativos, especialmente em lesões moderadas pela angiotomografia. Na presença de sintomas persistentes e refratários ao tratamento clínico otimizado, o cateterismo cardíaco deve ser indicado.
Achados angiográficos
Estenoses graves em ADA e ramo diagonal, configurando bifurcação verdadeira — classificação de Medina 1-1-1.
Estratégia do procedimento
| Acesso | Radial — alta hospitalar programada para o dia seguinte |
| Sedação | Consciente — conforto sem anestesia geral |
| Técnica | Mini-crush para bifurcação verdadeira com ramo lateral de grande calibre |
| Dispositivos | Dois stents farmacológicos cobrindo ADA e ramo diagonal |
| Imagem intracoronária | IVUS para otimização do implante e confirmação do resultado |
Resultado final — avaliação por IVUS

Área luminal de 11,87 mm² (3,49 × 4,17 mm) — expansão adequada do stent.

Padrão em “figura 8” — boa aposição e cobertura completa da carina.
Evolução e alta hospitalar
- Procedimento sem intercorrências
- Alta no dia seguinte
- DAPT de alta potência: AAS + ticagrelor
- Paciente assintomático em seguimento, sem novos episódios de angina
Mensagem para o encaminhador
- A angiotomografia pode subestimar a gravidade hemodinâmica de lesões intermediárias.
- A cintilografia farmacológica tem limitações — o teste ergométrico pode complementar a investigação.
- Sintomas refratários ao tratamento clínico otimizado indicam reavaliação invasiva.